Desenvolvimento Pessoal

Ter um filho/a com autismo em Portugal

O autismo continua a ser uma das perturbações do desenvolvimento mais incompreendidas do nosso tempo.

O autismo é uma perturbação do desenvolvimento que afeta a forma como a criança interage e aprende. Existem três principais comportamentos de autismo para diagnóstico de um médico: dificuldades de comunicação, dificuldades de interação social e comportamentos repetitivos. O autismo é diagnosticado na presença de uma variedade de comportamentos..

Embora não esteja identificada uma causa responsável pelo autismo, os investigadores continuam a procurar mais causas que levem ao desenvolvimento do autismo. Entre essas causas estão a genética ou ter um irmão que também tem autismo. A chave para apoiar adequadamente uma criança com autismo é fornecer-lhe um diagnóstico precoce que, por sua vez, proporciona uma intervenção precoce.

Muitos comportamentos de autismo também podem estar presentes em crianças com desenvolvimento típico. Lembre-se que um grupo de comportamentos deve estar presente nas três principais áreas mencionadas (comunicação, socialização e comportamentos repetitivos) para se considerar um diagnóstico de autismo. Se o seu filho se fixa num brinquedo ou desenho animado específico, isso não significa que ele seja autista. O mesmo se aplica a qualquer tipo de atraso na fala numa criança em desenvolvimento.

O último estudo epidemiológico sobre o autismo em Portugal foi publicado em 2005, o que significa que não existem dados recentes sobre quantas pessoas têm autismo em Portugal. Contudo, de acordo com o Autism Europe cerca de 1 em cada 100 pessoas na europa tem autismo, não considerando os que não estão diagnosticados. Nos últimos 30 anos, o número de pessoas com autismo aumentou de forma significativa em todos os países onde foram realizados estudos epidemiológicos.

Em Portugal existem alguns apoios financeiros que se aplicam a várias
situações, inclusive ao Autismo

Apoios para Crianças:
● Abono de família para crianças e jovens
● Bonificação por deficiência
● Subsídio por frequência de estabelecimento de educação especial
● Subsídio por assistência de 3ª pessoa

Apoios para Adultos:
● Pensão Social de Invalidez
● Complemento por dependência
● Subsídio Mensal vitalício

Existem estes apoios financeiros, no entanto, nem sempre são fáceis de aceder nem cobrem todas as terapias uma vez que as mesmas são um investimento.

Não querendo entrar na parte financeira, prefiro focar no que podemos mudar: a mentalidade de cada um de nós. A sociedade tem que aceitar estas crianças como quaisquer outras sem julgar.
Crianças que se tornam adultos e conseguem ter vidas autónomas e bem sucedidas.

Deixamos algumas dicas que qualquer pessoa pode fazer para aumentar a consciencialização do autismo

● Procurar informação válida sobre o autismo;
● Sensibilizar e ensinar nas escolas (todas as idades) o que é o autismo e como integrar os colegas;
● Mais apoio nas escolas de modo a estarem preparadas para integrar crianças com autismo;
● Educar os nossos filhos(as) a serem um bom amigo perante a diversidade;
● Educar os nossos filhos(as) sobre o autismo;
● Frequentar palestras sobre o autismo e palestras com oradores que têm autismo (Greta Thunberg, Temple Grandin etc.);
● Quando se cruzar com uma pessoa com autismo não verbal, não assuma que ele(a) não entende o que está a dizer;
● Trate todos com o mesmo respeito e dignidade, inclusivamente as pessoas com autismo, não olhe de forma esquisita se ele(a) estiver a estimular-se. A auto-estimulação ou estereotipias ajudam na auto-regulação emocional;
● Se passar e vir uma criança em crise, não pare para olhar. Lembre-se que naquele momento a criança está com uma sobrecarga de sensações e não tem outra forma de libertar-se ou de comunicar;
● Aceitar que existem outras formas de comunicar, fora a linguagem verbal.

Juntos iremos fazer a diferença para uma sociedade mais inclusiva!

Artigo cortesia Stephanie Teixeira, Ser Único, Almada