Desenvolvimento Pessoal

Testemunhos de Mulheres, Mães e profissionais de saúde que lutam diariamente na linha da frente

Em 2021, o tema do Dia Internacional da Mulher é:
“As mulheres na liderança: Alcançar um futuro igualitário num mundo de COVID-19”.

Sabia que o Dia da Mulher foi assinalado pela pela primeira vez em 19 de março de 1911?

Apesar desta jornada percorrida, ainda há um longo caminho na conquista e luta pelos direitos humanos.

Algumas das principais conquistas foram: o direito ao voto, igualdade salarial, maior representação em cargos de liderança, à proteção em situações de violência física ou psicológica, ou ainda o acesso à educação.
Mas, estes direitos ainda não são possíveis em todos os países.

Em Portugal, numa notícia Expresso, a 1 de fevereiro os números apontavam para 683 casos reportados à APAV no primeiro confinamento, os números em tempo de pandemia são alarmantes, revelam os efeitos violentos na sociedade.

Num contexto mundial, as mulheres são a maioria na linha da frente contra a COVID-19. A Agência Brasil adianta que as mulheres representam 70% dos profissionais de saúde nesta luta.

As mulheres representam 70% de todos os profissionais de saúde e têm demonstrado papel fundamental nas pesquisas, desde o avanço do conhecimento sobre o vírus até o desenvolvimento de técnicas de teste e, finalmente, da vacina. Além disso, elas foram as mais afetadas pela pandemia na medida em que carregam o peso do fechamento das escolas e da adoção do teletrabalho. António Guterres, secretário-geral da ONU.


Testemunhos

Como está a ser o desafio de conciliar os planos: pessoal, familiar, profissional e das relações, em tempo de pandemia?

Paula Casanova

Paula Casanova, dinamizadora do Uxa Blog tem 32 anos, é enfermeira, mãe, esposa e filha. Paula conta à Lua Nova como tudo foi um processo de adaptação.

No início da pandemia, eu, o meu marido e o meu filho isolámo-nos de todos, apenas saíamos para trabalhar e íamo-nos revezando para ficar com o nosso filho em casa.

A enfermeira confessa que após uma noite exaustiva no Hospital, em plena Pandemia, apenas tinha vontade de chegar a casa e descansar, mas nesta altura o papel de mãe sobrepunha-se ao de enfermeira. Tinha de ficar com o seu filho até o marido chegar, para finalmente puder descansar. Em acréscimo ao esforço e ao cansaço, ainda haviam as várias tarefas domésticas essenciais a fazer.

O facto do casal estar confinado a um apartamento, com uma criança de 3 anos, Paula sentia necessidade de manter as rotinas, as refeições respeitadas e as atividades diversificadas.

Eis que chegou o momento, em que o dever profissional chamou Paula para trabalhar no internamento com doentes com covid-19. Nessa altura, diz que não teve medo, encarou como mais apenas um desafio profissional. Revela que os cuidados de proteção laboral e de higiene pessoal foram redobrados.

A vida pôs-me à prova.
Tive de conjugar todos os papéis: enfermeira, mãe, esposa e filha.

Apesar da longa batalha, felizmente, o processo tem-se tornado mais fácil e menos penoso, face à diminuição dos casos por covid-19.
Paula, sente que todas as emoções ficaram expostas: ansiedade e medo. Havia uma preocupação constante de infetar a família, permanecia a saudade de não poder estar com os seus pais e o esforço, apesar do cansaço, para colaborar nas brincadeiras do filho.

Hoje, assinala-se o Dia Internacional da Mulher e como mulher este dia é mais um momento para relembrarmos o quanto somos importantes e poderosas.


Sandra Alves

Sandra Alves é outro testemunho real. Mulher, Mãe e enfermeira a lutar na linha da frente.

Tenho a sorte de ter um bom suporte familiar, todos me apoiam e estão sempre presentes quando é preciso. A pandemia fez-nos crescer enquanto seres humanos, aprendemos a dar mais valor às pequenas coisas, como o ‘sorriso com o olhar’.

Sandra, enquanto profissional de saúde na linha da frente, sente-se cansada, com férias suspensas e com um aumento na carga horária. Apesar de tudo, tem esperança em dias melhores e tem a sensação de dever cumprido.

“Saio de cada turno com a consciência que dei o meu melhor, e com a certeza que tenho um abraço e um beijinho do meu marido e do meu filho que sempre estiveram lá quando precisei. A eles o meu muito obrigado.”


Em nome da Lua Nova, obrigada a todos os que lutam pelos direitos humanos.