Desenvolvimento Pessoal

Como as pessoas se relacionam na época que enaltece o Amor

O Natal está quase a chegar, sentindo-se em especial uma alteração nas relações humanas, na forma como as pessoas se relacionam nesta época festiva que enaltece o Amor.

Com a chegada do Natal, todos os anos, surge um fenómeno muito especial que se traduz no enaltecimento das relações familiares, profissionais, amorosas, de amizade e mesmo perante e com as pessoas desconhecidas que apelam ao nosso lado solidário.

Parece que no Natal o Amor é elevado a um patamar mais elevado sendo exponencialmente celebrado, materializando-se em encontros, jantares e em ofertas de presentes. Porém, finda a época natalícia, surge novamente a subvalorização do Amor, que volta a ser colocado na prateleira do esquecimento e da banalidade, ficando à espera de uma nova época festiva para ser celebrado.

Pode estar a questionar-se neste momento porque escrevo este texto sobre o amor nas relações e de fato escrevo estas palavras, porque é preciso refletir sobre os nossos comportamentos, a nossa forma de estar e sentir os relacionamentos, quer no Natal, ou outra época festiva, quer nos restantes dias do ano.

Escrevo sobre o Natal das relações pois considero que devíamos integrar o espírito natalício no nosso centro emocional, como se fosse plantada a semente do Amor, da qual brotaria a mais bela árvore de Natal: a árvore do amor, perene e inigualável.

As relações nesta época festiva são sobrevalorizadas e ganham um estatuto comerciável, como se entrassem em processo de saldos e todos nos lembrássemos de viver e sentir essas relações, das quais nos esquecemos durante o resto do ano e às quais não atribuímos muitas vezes a sua devida importância.

Sentimos, sendo que não pretendo de todo criar qualquer generalização, que temos que oferecer algo, que devemos receber algo, que devemos conviver e reunir a família e os amigos, devemos ser solidários e que temos que sentir o espírito natalício, para como se costuma dizer “ficarmos bem na fotografia”.

Apraz-me então, perguntar porque não vivemos desta forma todos os dias? Porque não valorizamos as nossas relações diariamente e esperamos pelo Natal para conviver, oferecer algo, ajudar alguém?

Ao escrever este texto, quero convidar a iniciar um processo reflexivo sobre as suas relações nos diversos contextos e de que forma sente e vive as suas relações no Natal e nos restantes dias do ano. Possivelmente, após algum tempo a pensar sobre o assunto, encontrará alguns pontos-chave que são importantes para iniciar um processo de mudança, transformação relacional visando a otimização de todas as relações diariamente.

Talvez possa concluir e sentir que o dito espírito natalício pode ser semeado nas nossas relações e celebrado diariamente como a grande festa que é ao celebrar o Amor, o elo transversal em todas as nossas relações e na nossa Vida.

Poderão então surgir duas questões na sua mente: porque devo fazer esse processo e caso queira fazer, como proceder?

Todos visamos a nossa evolução, com a compreensão das nossas emoções, o aperfeiçoamento das nossas relações, a consciencialização dos nossos sentimentos, de modo a que possamos viver no e com Amor e sermos mais felizes.

Nesse sentido, ao proceder a este processo reflexivo, cada um de nós conseguia identificar as relações que necessitam de cuidados, de estruturação, de transformação ou tão-somente de manutenção. Relações que apresentam um certo tipo de necessidades que devem ser supridas diariamente e não cingidas a uma época festiva, onde tudo parece utopicamente melhor.

O Natal nas relações demonstra o processo comerciável que vivemos intensamente com a prática da oferta e/ou troca de presentes e neste ponto em particular, poderíamos ter em conta que a oferta de algo a alguém, não deveria ser sentida como uma obrigação moral e sentimental, mas sim como uma vontade genuína que demonstra o nosso apreço por alguém, mas que pode ser demonstrado diariamente.

Ao mesmo tempo, muito mais importante do que oferecer ou receber algo material (mesmo que com um lado sentimental), é a oferta do nosso tempo, com a organização das nossas prioridades, convivendo com mais assiduidade com as pessoas de quem gostamos, com a partilha das nossas emoções genuína e conscientemente.

Quando falo no ato de oferecer e receber algo, é no sentido de relembrar que todos nós podemos potenciar este processo diariamente, sem qualquer objetivo subentendido, sem qualquer sentimento de obrigatoriedade moral, sendo que, por exemplo, no que concerne à solidariedade, devíamos praticá-la diariamente e não numa época em que os pedidos são mais notórios e nos toca mais no coração.

O Natal nas relações pode ser visionado como uma árvore de Natal despida de qualquer enfeite e que vamos enfeitar com diferentes objetos, com diversos formatos, texturas, ou seja, vamos decorar a nossa árvore emocional natalícia com as nossas relações.

Convido a realizar um exercício de visualização relacionado com a sua árvore emocional que vai decorar com as suas relações: as bolas serão as relações que considera estarem otimizadas; os sinos, com o seu badalo, serão as relações que nos avisam que precisam de qualquer mudança, alteração e que estão numa zona de perigo; as pinhas serão aquelas que por nos cativarem queremos explorar, aprofundar, descobrindo o que esconde cada camada oculta; a estrela simbolizará a relação que o leitor tem consigo próprio.

O que sentiu ao decorar a sua árvore? Consegui decorá-la na totalidade ou teve alguma dificuldade ao identificar e relacionar o enfeite com a relação em causa? E a estrela, que o representa, cintila vigorosamente ou apenas apresenta uma luz ténue?

É este o espírito natalício das e nas relações, o sentir a forma como vivemos e as sentimos e o que podemos fazer diariamente para as aperfeiçoarmos. A nossa árvore emocional de Natal é uma árvore que necessita de cuidados diários e conscientes sem que elaboremos qualquer plano decorativo, confinado a épocas calendarizadas e com uma gestão inadequada das nossas emoções.

Está a chegar o Natal onde iremos conviver com os nossos amigos, com os familiares que não vemos há muito tempo, mesmo que de forma mais cuidadosa, onde iremos partilhar emoções, momentos mais ou menos felizes e onde também poderemos estar a conviver com a nossa solidão, com o “vazio” da nossa Vida.

Sim, existem imensas pessoas que atravessam a fase de Natal, tal como uma travessia no deserto, sem qualquer convívio e que podem viver de duas formas diferentes: entregando-se à tristeza, ao vazio e solidão ou celebrando consigo mesmo o melhor que o Natal tem para oferecer, o Amor!

O Amor não necessita de épocas festivas para ser celebrado e é por esse motivo que muitas pessoas que vivem sozinhas, que não têm familiares ou amigos com quem conviver, sentem o espírito natalício de uma forma bem diferente daqueles que se reúnem com grandes grupos de pessoas. Essas pessoas sentem a pureza do Amor em cada dia, em si próprios e em todos os Outros com quem se cruzam e relacionam nesta caminhada de Vida.

Antes que chegue o Natal, porque não se entregar a uma reflexão sobre as suas relações e porque não adequar as suas emoções, os seus sentimentos e comportamentos aos resultados desse processo?

Através de mais um processo reflexivo, também muito associados à época natalícia, em que refletimos sobre as nossas emoções, convido a semear uma nova semente no seu coração, a semente da sua árvore de natal emocional que irá decorar dia-a-dia, que irá cuidar, vivendo com toda a potencialidade cada uma das suas relações.

O Natal das suas relações será mais consciente e brilhante como se as luzes da sua árvore iluminassem um elo, até agora incompreendido, que atravessa cada pessoa que existe e pertence à sua Vida e que potencia em si, o mais belo sentimento de todos o Amor!

Que cada Ser seja capaz de cuidar da sua árvore e de sentir o Natal em si, tal como o Amor que existe em e por si e para o Mundo! Que seja capaz de partilhar o verdadeiro espírito natalício relacional e possa assim promovê-lo com todos aqueles que fazem parte e se cruzam com o seu Mundo.

Votos de um Feliz Natal! Votos de um Fantástico Natal das e nas Relações!

Ricardo Fonseca, 2020